O 1º Transplante de sangue do cordão umbilical

Celebrou-se em outubro de 2019, o 30º aniversário do primeiro transplante do Sangue do Cordão Umbilical, realizado no Hospital Saint-Louis, em Paris. O paciente, Matthew Farrow, à data com 5 anos, era uma criança portadora de uma doença hematológica rara e com uma elevada taxa de mortalidade, conhecida por Anemia de Fanconi.

Este procedimento clínico pioneiro foi um marco na História da Medicina, representando um esforço internacional para que o mesmo pudesse ser realizado. Matthew viajou desde a Carolina do Norte, acompanhado pelo investigador americano responsável pelo armazenamento das células estaminais colhidas da amostra de sangue do cordão da sua irmã recém-nascida, Dr. Hal Broxmeyer, pela médica responsável pelo acompanhamento do seu caso no Duke University Medical Center, Dr.ª Joanne Kurtzberg e pela médica responsável pelo transplante, Dr.ª Elian Gluckman, do Hospital Saint-Louis, em Paris.

A Equipa

Dr.ª Joanne Kurtzberg

Hematologista Pediatra, Duke University Medical Center

Dr.ª Elian Gluckman

Hematologista e investigadora, Hospital Saint‑Louis

Dr. Hal Broxmeyer

Imonulogista, Indiana University School of Medicine

“O Sangue da minha irmã curou-me”

Matthew, hoje com 37 anos, marido e pai, encontra-se totalmente curado graças ao transplante de Sangue do Cordão realizado. Grande parte do tempo de Matthew é dedicado a comunicar e despertar o interesse de pessoas de todo o mundo para a importância da preservação das células estaminais e suas potencialidades. Em entrevista à Parent’s Guide to Cord Blood Foundation este refere: “O meu objetivo é partilhar a minha história para ajudar a aumentar a consciencialização e a compreensão das pessoas face à importância de guardar o sangue do cordão umbilical. Existem, de facto, muitas pessoas que ainda não compreenderam a sua real importância.

Matt usa a sua experiência pessoal para alertar e sensibilizar para este tema, sendo taxativo relativamente à importância que o sangue do cordão umbilical teve para si: “O sangue do cordão umbilical da minha irmã curou-me da insuficiência medular causada pela Anemia de Fanconi e isso permitiu-me crescer e tornar-me no adulto que sou hoje. O meu papel passa por encorajar famílias de crianças pequenas que passaram por transplantes, mostrando-lhes que eles podem crescer, ter uma família e viver uma vida normal”.

Este procedimento foi um sucesso e um marco para a medicina. Deste então, são criopreservadas em todo o mundo amostras de sangue de cordão umbilical, criando uma nova fonte de células estaminais que geraram inúmeros casos de sucesso ao longo dos últimos 30 anos, tendo sido registados mais de 40.000 transplantes.

Após 30 anos de estudos e utilização, as células estaminais representam atualmente um recurso valioso disponível para mais de 80 tipos de doenças do sangue e um potencial promissor no que concerne à medicina regenerativa em doenças do foro cardíaco, Alzheimer, Parkinson, entre outras.