Dr. Luis Madero e Dr. João Sousa no Laboratório BebéVida Dr. Luis Madero e Dr. João Sousa no Laboratório BebéVida

O inegável potencial terapêutico das células estaminais: Que passos dar no futuro?

Espanha realiza atualmente mais transplantes com células estaminais do sangue do cordão umbilical do que Portugal. Isto acontece essencialmente por duas razões: em Espanha, existe já uma vasta aposta na investigação desta área e na aplicação destas células com potencial terapêutico para diversas patologias; mais amostras de sangue do cordão são criopreservadas, naturalmente devido ao tamanho da população espanhola, mas também porque já foi feito um longo trabalho de explicação aos pais sobre as vantagens da criopreservação das células estaminais dos seus bebés no momento do parto, o que nos tem permitido apostar em mais tratamentos desta natureza.

Existem várias doenças para as quais recorremos ao transplante de células estaminais do cordão umbilical nomeadamente em crianças, uma vez que a minha área está diretamente ligada à Oncologia pediátrica, e que são terapêuticas totalmente reconhecidas em Espanha como seguras e eficazes para determinadas patologias, especialmente de origem maligna.

Os diversos transplantes que temos feito com sangue do cordão umbilical têm-nos permitido perceber que quando o fazemos entre familiares geneticamente idênticos, o resultado é mais favorável e há uma melhoria comprovada da sobrevida e sucesso do tratamento.

No entanto, sabemos que os doentes que disponham do sangue do cordão umbilical guardado têm a oportunidade adicional de tratar de uma doença maligna e por conseguinte aumentar a sobrevida do doente. Também temos tido a oportunidade de comprovar que no caso das más formações genéticas, como a anemia de Fanconi e outras doenças congénitas, é mais favorável utilizar o sangue do cordão umbilical do que utilizar células estaminais da medula óssea ou do sangue periférico.

Naturalmente que temos também testado a utilização de células mesenquimais para o tratamento e controlo da atual pandemia da COVID-19, que tem juntado vários esforços de investigação em todo o mundo. Logo em março, quando se começou a evidenciar a necessidade de um tratamento para esta terrível pandemia, a grande maioria dos investigadores estava focado em encontrar a cura através de medicamentos e soluções farmacológicas.

Em abril, mais de 1500 procedimentos já estavam a decorrer para a procura de uma solução muito direcionada para uma vacina. Nesta altura, percebemos que em média a procura de soluções para o tratamento da COVID-19, através de células mesenquimais era, no entanto, muito menor quando comparado com as outras investigações em curso, não havendo mais do que 50 ensaios clínicos.

Em Espanha, realizaram-se apenas 12 estudos que procuravam soluções terapêuticas para a COVID-19, através da utilização de células mesenquimais. O que muitos de nós, investigadores com experiência em terapias celulares percebemos, foi que as propriedades das células mesenquimais do ponto de vista imunomodulador e também anti-inflamatório nos pareceu que podiam ter utilidade no combate a este vírus. No entanto, e devido à limitação de recursos, apenas dois dos ensaios clínicos com terapia celular estão a mostrar alguma utilidade, nomeadamente através da utilização de corticoides ou terapias antivirais.

Em súmula, a terapia celular e a terapia avançada são tratamentos complexos e que precisam de um grande investimento económico e essencialmente de regulação por parte das agências de medicamentos de cada país, instituições que podem determinar como e quando se podem utilizar estes tratamentos de terapia celular e nos quais se incluem as células mesenquimais. Reconhecer a importância destes dois últimos pontos é a chave, para continuarmos cada vez mais a crescer nesta área, e comprovar a eficácia e segurança deste tipo de terapêuticas.

Guardar o sangue do cordão umbilical quer num banco público, quer num banco privado, é, portanto, uma decisão que a ciência agradece, porque o potencial terapêutico das suas células estaminais é inegável.

Escrito pelo Prof. Doutor Luís Madero, Chefe de Serviço de Onco-Hematologia Pediátrica do Hospital Infantil Universitário Niño Jesus – Madrid e Consultor Científico Laboratório BebéVida

 

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