O tratamento com células estaminais reduziu as mortes relacionadas com questões cardiovasculares

No passado dia 13 de Novembro foi apresentado nas sessões científicas da American Heart Association as conclusões de estudo com células estaminais que ajudaram a reduzir o número de ataques cardíacos, AVC e mortes, em pessoas com insuficiência cardíaca crónica de alto risco, especialmente naqueles pacientes com níveis mais elevados de inflamação.

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração é incapaz de bombear adequadamente o sangue para satisfazer as necessidades do corpo de oxigénio e nutrientes. Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (HFrEF), o músculo cardíaco aumenta e enfraquece, resultando numa diminuição da capacidade de bombeamento e acumulação de fluidos nos tecidos do corpo. A inflamação desempenha um papel significativo na progressão da insuficiência cardíaca ao longo do tempo.

Este estudo teve como objetivo examinar os efeitos da utilização de células estaminais (células precursoras mesenquimais) infundidas no coração para combater a inflamação e tratar a insuficiência cardíaca crónica. Os investigadores levantaram a hipótese de que uma única injeção de células estaminais de dadores adultos saudáveis, para além da terapia médica guiada (GDMT) para a insuficiência cardíaca, afetaria o número de vezes que os participantes fossem hospitalizados por eventos de insuficiência cardíaca e reduziria ataques cardíacos, AVC e/ou morte.

O estudo “Randomized Trial of Targeted Transendocardial Delivery of Mesenchymal Precursor Cells in High-Risk Chronic Heart Failure Patients with Reduced Ejection Fraction”, também chamado ensaio DREAM-HF, é o maior estudo de terapia com células estaminais até à data entre pessoas com insuficiência cardíaca. Neste ensaio multicêntrico, randomizado, controlado por simulacro, duplamente-cego, os investigadores inscreveram 537 participantes (idade média 63 anos, 20% mulheres) com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida ( lado esquerdo do coração, a principal câmara de bombeamento, fica significativamente enfraquecido).

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: 261 adultos receberam uma injeção de 150 milhões de células mesenquimais diretamente no coração, utilizando um cateter. Os restantes 276 adultos receberam o placebo. As células mesenquimais utilizadas foram doadas por adultos saudáveis.

Os participantes no estudo tiveram alta do hospital no dia seguinte ao procedimento, e os investigadores fizeram o follow up dos participantes durante os  30 meses subsequentes. Outro objetivo do estudo pretendia examinar se o tratamento com células estaminais afetava a probabilidade de os participantes regressarem ao hospital para tratamento de insuficiência cardíaca agravada.

Embora os investigadores não tenham visto uma diminuição nas hospitalizações devido ao tratamento com células estaminais, notaram vários outros resultados significativos.

  • Aqueles que receberam terapia com células estaminais tiveram uma redução de 65% nos ataques cardíacos não fatais e nos acidentes vasculares cerebrais ao longo de todo o período do estudo;
  • Os participantes com níveis elevados de inflamação tiveram 79% menos probabilidade de ter um ataque cardíaco não fatal ou um acidente vascular cerebral após terem sido tratados com células estaminais;
  • O tratamento com células estaminais reduziu a morte cardíaca em 80% em pessoas com altos níveis de inflamação e menos graves.

Os responsáveis pelo estudo acreditam que é necessária mais investigação para compreender melhor como estas células estaminais podem afetar o curso da progressão da insuficiência cardíaca e como estas terapias podem ser dirigidas a outros grupos de doentes.

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