Estudo clínico com células estaminais Estudo clínico com células estaminais

“Sangue do cordão umbilical representa uma oportunidade única em contexto de transplante familiar”

As vantagens do sangue do cordão umbilical

Os diversos transplantes que temos feito com sangue do cordão umbilical, têm nos permitido perceber que quando o fazemos entre familiares geneticamente idênticos, o resultado é mais favorável e há uma melhoria comprovada da sobrevida do paciente e sucesso do tratamento.

Os doentes que dispõem do sangue do cordão umbilical guardado têm uma oportunidade adicional para aumentar a sobrevida essencialmente se se tratar de uma doença maligna. Também temos tido a oportunidade de comprovar que no caso das más formações genéticas, como a Anemia de Fanconi e outras doenças congénitas, é mais favorável utilizar o sangue do cordão umbilical, do que utilizar células estaminais da medula óssea ou do sangue periférico.

Temos sido pioneiros na utilização de células mesenquimais para o tratamento de doenças oncológicas, nomeadamente em crianças que tenham tumores sólidos recorrentes ou refratários, uma prática que já começámos desde 2005 e temos estando a consolidar com a realização de mais ensaios clínicos. Neste momento estamos a realizar um ensaio clínico em crianças com tumores cerebrais refratários ou recorrentes, outras doenças oncológicas e autoimunes e em crianças que tenham paralisia cerebral.

Células Estaminais e COVID-19

Naturalmente que temos também testado a utilização de células mesenquimais para o tratamento e controlo da atual pandemia da Covid-19, que tem juntado vários esforços de investigação em todo o mundo. Logo em Março, quando se começou a constatar a necessidade de um tratamento para esta terrível pandemia, a grande maioria dos investigadores estavam focados em encontrar a cura através de medicamentos e soluções farmacológicas. Em Abril, mais de 1500 procedimentos já estavam a decorrer para a procura de uma solução para a Covid-19. Nesta altura percebemos que em média a procura de soluções para o tratamento da Covid-19, através de células mesenquimais era, no entanto, muito menor quando comparada com as outras investigações em curso, não havendo mais do que 50 ensaios clínicos.

No nosso caso, os tratamentos de terapia celular que temos feito através das células mesenquimais para a Covid-19 ainda não são extrapoláveis para o resto da população, uma vez que os doentes que temos tratado estão numa situação de saúde já muito crítica e da qual é muito difícil podermos retirar conclusões que sejam determinantes para outros doentes.

Em resumo, quer a terapia celular, quer a terapia avançada são tratamentos complexos e que precisam de um grande investimento económico e que necessitam de ser regulados pelas agências de medicamentos de cada país, no caso de Espanha e Portugal e pela Agência Europeia de Medicamentos, instituições que determinam como e quando se podem utilizar estes tratamentos de terapia celular e nos quais se incluem as células mesenquimais. Este é um caminho que ainda temos de percorrer para cada vez conhecermos mais soluções que estas terapias nos podem oferecer.

Porém, guardar o sangue do cordão umbilical quer num banco público, quer num banco privado é uma decisão que a ciência agradece porque o potencial terapêutico das suas células estaminais é inegável.

Escrito pelo Prof. Doutor Luís Madero, Chefe de Serviço de Onco-Hematologia Pediátrica do Hospital Infantil Universitário Niño Jesus – Madrid e Consultor Científico Laboratório BebéVida

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