Estudo sobre a eficácia das células estaminais em crianças com autismo

Escrito April 13, 2017
Abril 2017

Estudo sobre a eficácia das células estaminais em crianças com autismo

Gracie, foi uma das 25 crianças que participaram no primeiro estudo deste género na Universidade de Dukeem Durham, Carolina do Norte. O objetivo foi verificar se uma transfusão de células estaminais de sangue do cordão umbilical, em contexto autólogo (do próprio), poderia ajudar no tratamento do autismo.
Os resultados do estudo, publicados na revista StemCells Translational Medicine, foram impressionantes. Mais de dois terços das crianças apresentaram melhorias significativas. Um segundo ensaio clínico já se encontra em marcha e os investigadores esperam que os resultados possam ajudar no desenvolvimento de um tratamento duradouro para o autismo.
 

Gracie Gregory fez uma melhora dramática após participar no ensaio clínico inicial com células estaminais em Duke.

A Dra. Joanne Kurtzberg é uma das principais investigadoras do estudo. É diretora do Programa de Terapia Celular Clínica e Translacional da Robertson, fez parceria com a Dra. Geraldine Dawson e diretora do Duke Center for Autism and Brain Development.
Estima-se que 1 em cada 68 crianças na América tem algum tipo de distúrbio do espectro autista, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças .
 

 
Cerca de 30% nunca aprendem a falar, e muitas crianças, mesmo com intervenções comportamentais precoces, ainda lutam para se adaptarem. Atualmente ainda não existem medicamentos aprovados pela FDA que melhorem os principais sintomas do autismo.
 

"Eu estava muito interessada em colaborar com pessoas aqui na Duke University, onde poderia oferecer abordagens médicas que poderiam aumentar a neuroplasticidade, ou a capacidade do cérebro para responder ao tratamento", diz a Dra. Geraldine Dawson.


Poderia o sangue do cordão umbilical ajudar outras crianças?
Há cerca de uma década, a Dra. Joanne Kurtzberg iniciou testes clínicos em crianças com paralisia cerebral cujos pais tinham guardado o sangue do cordão umbilical. Mais uma vez, os resultados obtidos foram positivos. Interessante foi o facto de em algumas dessas crianças, que tinham tendências autistas, registarem melhorias desses sintomas. A ideia surgiu a partir destes resultados. E se for testado o sangue de cordão umbilical especificamente para autismo?
O ensaio clínico começou pouco mais de um ano e meio atrás. O uso de sangue do cordão umbilical não só provou ser seguro, como 70% das 25 crianças, com idades entre os 2 e os 6, demostraram melhorias comportamentais, descritas tanto pelos pais como pelos investigadores da Universidade de Duke.

"Algumas crianças, que não falavam muito, tiveram um incremento significativo no seu vocabulário e no seu discurso funcional", segundo Kurtzberg.

Dawson acrescenta: "O estudo foi muito encorajador, vimos resultados positivos, mas não houve um grupo de comparação, que é muito importante para determinar se um tratamento é realmente eficaz".


Neste momento está em marcha o ensaio clínico definitivo em que o uso do sangue do cordão umbilical poderá apresentar um potencial tratamento para o autismo - um estudo cego, controlado por placebo, envolvendo 165 crianças autistas, com idades entre 2 e 8. A FDA tem supervisão do estudo.
Durante o estudo de fase II, as crianças recebem uma infusão de sangue do cordão umbilical do próprio ou de um doador, ou recebem um placebo. 

"É importante que os pais possam estar informados acerca de um potencial tratamento para o autismo, usando o sangue do cordão umbilical", reforça Kurtzberg.


Os investigadores esperam que o estudo atual leve a sucessos semelhantes, aos obtivos com os realizados com a paralisia cerebral, e que possa realmente resultar num tratamento inovador para crianças autistas.

Fonte: http://edition.cnn.com/2017/04/05/health/autism-cord-blood-stem-cells-duke-study/
         http://www.webmd.com/brain/autism/news/20170406/stem-cell-therapy-autism