Mais um caso de sucesso de terapia celular no tratamento de uma criança com Autismo

Escrito September 3, 2018
Agosto 2018

Mais um caso de sucesso de terapia celular no tratamento de uma criança com Autismo

Esta é a história de um rapaz da Georgia com 8 anos chamado Nicoloz.
Na altura do parto, os pais de Nicoloz decidiram criopreservar a amostra de sangue do cordão num banco privado – Geocord - em Tiblisi, Georgia. Não existindo uma razão em particular para guardar o sangue do cordão, decidiram fazê-lo por recomendação do médico obstetra que os acompanhava.
 
Aos 2 anos de idade os pais de Nicoloz começaram a detetar algo de errado no desenvolvimento do seu filho, nomeadamente ao nível emocional, com dificuldade em falar e com elevado deficit de atenção, não permitindo comunicar com outras crianças, nem revelando qualquer interesse em interagir com elas. Assim, aos 3 anos de idade  foi diagnosticado a Nicoloz um Perturbação do Espectro Autismo (PEA).
 
Segundo a American Psychiatric Association as Perturbações do Espectro do Autismo (PEA) são um síndrome neuro-comportamental com origem em perturbações no sistema nervoso central, que afeta o normal desenvolvimento da criança. Os sintomas ocorrem nos primeiros três anos de vida e incluem três grandes domínios de perturbação: Social, Comportamental e Comunicacional.
O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças nos EUA estima que 1 em cada 59 crianças (1 em 37 crianças do sexo masculino e 1 em 151 do sexo feminino) tem Perturbação do Espectro Autismo. De acordo com as últimas pesquisas, a prevalência do Autismo é 1 para 68, mas há 8 anos atrás essa prevalência era de 1 para 88, o que nos leva a inferir que a prevalência no futuro vai ser muito maior em que 1 em cada 59 crianças sofre de alguma forma de Autismo.
 
Após a confirmação do diagnóstico de Autismo, Nicoloz iniciou uma terapia comportamental designada de ABA (Applied Behavior Analysis) que consiste num programa intensivo de treino para desenvolver capacidades vitais nas crianças com Autismo. Contudo, os resultados não foram muito animadores ao ponto de Nicoloz não conseguir proferir uma simples frase de 3 palavras.
 
Em 2016, após assistirem a um programa de televisão onde era reportado uma terapia celular com sangue do cordão umbilical para tratamento de crianças com sintomas de Autismo, os pais de Nicoloz, contactaram de imediato o Banco de Cordão Umbilical onde tinham criopreservado a amostra do seu filho, de forma a receberem informação relativa a alternativas terapêuticas na Georgia.
A clínica Mardaleishvili Medical Center, já com larga experiência em terapia celular autóloga para tratamento de pacientes com lesão da espinal medula, desenvolveu um ensaio clínico para infusão de sangue do cordão autólogo para tratamento de crianças com Autismo.

Nicoloz integrou esse ensaio clínico que passou pela infusão de sangue do cordão umbilical autólogo em 3 momentos distintos a cada 6 meses. A administração do preparado foi feita por via intratecal, passando uma agulha entre as vértebras da espinal medula  para infundir células estaminais  diretamente no líquido cefalorraquidiano.

 
Esta metodologia demonstrou enormes vantagens em relação à infusão intravenosa, pois permite que o líquido cefalorraquidiano leve as células infundidas ao local onde elas são necessárias, ou seja, a todo o córtex, cerebelum e sistema límbico, isto porque o líquido cefalorraquidiano está em constante circulação através do espaço subaracnóideo do cérebro e da espinal medula. Assim, todas as células atingem as zonas lesadas. Quando a terapia é efectuada por via intravenosa, as células são filtradas pelos pulmões pelo baço e pelo fígado o que leva a um dose celular muito mais baixo do que a via intratecal. O sucesso da terapia celular depende pois em grande medida, do nº de células que chegam ao cérebro.
 
Após duas infusões, Nicoloz tem demonstrado melhorias significativas tanto ao nível do vocabulário utilizado, como na leitura, como na capacidade em fazer cálculos aritméticos. Para além disso, o seu comportamento deixou de ser agressivo e as explosões emocionais desapareceram. Hoje em dia, Nicoloz já frequenta a escola normal.

Os pais têm estado inteiramente envolvidos na terapia e treino da criança e admitem que ocorreu um milagre dadas as melhorias significativas do comportamento do seu filho. Na realidade, foram eles que contribuíram para esse “milagre” quando decidiram criopreservar o sangue do cordão do Nicoloz num banco privado.


Fonte: https://parentsguidecordblood.org/en/news/nicoloz-story-autism-treatment-intrathecal-injection-autologous-cord-blood