Um estudo publicado em julho de 2026 na revista científica Genes & Diseases apresenta novos resultados sobre a utilização de células estaminais mesenquimais derivadas do cordão umbilical (hUC-MSCs) em pessoas com doença de Parkinson.
Os investigadores observaram melhorias em diferentes parâmetros clínicos e identificaram mecanismos biológicos que poderão ajudar a explicar o potencial destas células na proteção e recuperação do sistema nervoso.
Um estudo clínico com 35 pessoas com Parkinson
A investigação combinou um ensaio clínico exploratório em humanos com estudos laboratoriais e num modelo animal da doença de Parkinson.
No ensaio clínico participaram 35 pessoas, com uma idade média de aproximadamente 68 anos e uma duração média da doença de cerca de sete anos.
Os participantes receberam quatro administrações de células estaminais mesenquimais humanas provenientes do cordão umbilical ao longo de um mês, através de administração intravenosa e intratecal.
Posteriormente, os investigadores avaliaram diferentes aspetos da doença, incluindo os sintomas motores, o equilíbrio, a capacidade para realizar atividades diárias, a função cognitiva, a ansiedade, a depressão e a qualidade do sono.
Melhorias observadas em diferentes sintomas
Após o tratamento, foram registadas melhorias estatisticamente significativas em várias escalas utilizadas na avaliação da doença de Parkinson.
A escala UPDRS, uma das principais ferramentas utilizadas para avaliar a gravidade dos sintomas da doença, apresentou melhorias a partir das quatro semanas, que se mantiveram nas avaliações posteriores. Também foram observadas alterações favoráveis no equilíbrio, função cognitiva, independência nas atividades diárias, ansiedade, depressão e qualidade do sono.
No acompanhamento realizado um ano após o tratamento, os investigadores reportaram, entre outros resultados, uma redução de 26,1% na pontuação UPDRS e uma melhoria em diferentes indicadores relacionados com equilíbrio, cognição e qualidade de vida.
Os exames de ressonância magnética também revelaram um aumento da área e da intensidade do sinal de neuromelanina na substância negra, uma região cerebral particularmente afetada na doença de Parkinson e onde se encontram muitos dos neurónios responsáveis pela produção de dopamina.
Como poderão atuar estas células?
Um dos aspetos mais interessantes desta investigação foi a tentativa de perceber por que razão as células mesenquimais do cordão umbilical poderão produzir estes efeitos.
Por outro lado, ao contrário de algumas abordagens de terapia celular que procuram substituir diretamente os neurónios perdidos, os investigadores consideram que a ação destas células poderá estar sobretudo relacionada com os fatores que libertam para o ambiente envolvente.
As células mesenquimais possuem propriedades imunomoduladoras, anti-inflamatórias e neuroprotetoras e libertam diferentes moléculas e vesículas extracelulares capazes de participar na comunicação entre células.
Neste estudo, as análises do líquido cefalorraquidiano e os estudos realizados em modelos animais apontaram para a participação de uma proteína denominada NCS1 (Neuronal Calcium Sensor 1) e para a ativação de vias relacionadas com o sistema endocanabinoide. Estas alterações poderão contribuir para regular a inflamação no cérebro e criar um ambiente mais favorável à sobrevivência dos neurónios.
Os investigadores observaram também uma redução das células microgliais associadas aos processos de neuroinflamação nos modelos experimentais tratados com células mesenquimais.
Segurança e próximos passos
Durante o estudo, não foram registados eventos adversos relacionados com a administração das células mesenquimais, incluindo durante o acompanhamento realizado após o tratamento.
Apesar dos resultados positivos, é importante interpretar estas conclusões com prudência. Este foi um ensaio clínico exploratório, aberto e de braço único, ou seja, todos os participantes receberam o tratamento e não existiu um grupo de controlo ou placebo com o qual comparar os resultados.
Desta forma, o estudo não permite ainda concluir que as células estaminais do cordão umbilical constituem um tratamento eficaz para a doença de Parkinson.
Os próprios investigadores salientam a necessidade de realizar ensaios clínicos randomizados e controlados, com um maior número de participantes, para confirmar a segurança e a eficácia da abordagem.
Ainda assim, os resultados acrescentam novas evidências à investigação sobre o potencial das células mesenquimais provenientes do tecido do cordão umbilical na medicina regenerativa, particularmente no contexto das doenças neurodegenerativas.


