Um estudo publicado em 2025 na revista científica Transplantation and Cellular Therapy apresenta novos dados sobre a utilização de sangue do cordão umbilical expandido em laboratório em transplantes de células estaminais hematopoiéticas.
Os investigadores compararam os resultados obtidos com sangue do cordão expandido através da tecnologia UM171 com seis outras fontes de células habitualmente utilizadas em transplante, concluindo que esta abordagem apresentou resultados equivalentes ou, em alguns parâmetros, mais favoráveis.
O desafio da quantidade de células no sangue do cordão
O sangue do cordão umbilical é uma importante fonte de células estaminais hematopoiéticas, capazes de dar origem às diferentes células do sangue e do sistema imunitário.
Estas células são utilizadas há várias décadas no tratamento de diferentes doenças hematológicas. No entanto, uma das limitações associadas ao transplante de sangue do cordão, sobretudo em adultos, é a quantidade de células disponível numa única unidade.
É precisamente neste ponto que a expansão celular pode assumir particular relevância.
A UM171 é uma pequena molécula utilizada durante o processo de expansão ex vivo, ou seja, em laboratório, com o objetivo de aumentar o número de células estaminais e progenitoras hematopoiéticas antes do transplante.
Em estudos clínicos anteriores, esta estratégia já tinha demonstrado ser capaz de expandir unidades de sangue do cordão de menor dimensão, permitindo a realização do transplante sem comprometer a enxertia.
Comparação com seis fontes diferentes de células
Neste novo trabalho, 22 adultos receberam um transplante com uma única unidade de sangue do cordão expandida com UM171.
Os resultados foram depois comparados com dados de doentes registados na European Society for Blood and Marrow Transplantation (EBMT) que tinham recebido transplantes de sangue do cordão não expandido, medula óssea e células estaminais do sangue periférico provenientes de diferentes tipos de dadores.
De acordo com os investigadores, os doentes transplantados com sangue do cordão expandido com UM171 apresentaram resultados a curto e longo prazo equivalentes ou superiores aos observados com outras fontes de células estaminais.
No grupo que recebeu sangue do cordão expandido com UM171 não foram registados casos moderados a graves desta complicação, tendo sido observadas taxas significativamente inferiores às verificadas em alguns dos grupos de comparação.
O estudo avaliou ainda parâmetros como a enxertia, mortalidade não relacionada com recaída, recaída da doença, sobrevivência global, sobrevivência livre de progressão e sobrevivência sem recaída nem GVHD.
No conjunto, os resultados positivos reforçam a possibilidade de a expansão celular ajudar a ultrapassar uma das principais limitações históricas do sangue do cordão: a dose celular disponível para transplante.
Novas possibilidades para o sangue do cordão
A possibilidade de expandir células do sangue do cordão pode tornar utilizáveis unidades que, devido à sua menor quantidade inicial de células, poderiam não ser consideradas adequadas para determinados doentes.
Esta evolução é particularmente relevante porque permite continuar a explorar as características próprias do sangue do cordão enquanto fonte de células estaminais hematopoiéticas, ao mesmo tempo que procura ultrapassar algumas das limitações associadas ao número inicial de células.
Apesar dos resultados positivos, é importante salientar que este foi um estudo retrospetivo e com um número reduzido de doentes tratados com sangue do cordão expandido. Os resultados devem, por isso, continuar a ser confirmados através de estudos clínicos de maior dimensão.
Ainda assim, esta investigação demonstra como a evolução das tecnologias de expansão celular pode abrir novas possibilidades para a utilização do sangue do cordão umbilical e reforça a importância da investigação contínua nesta área.
Fonte: Cohen S. et al. Transplantation and Cellular Therapy, 2025. PMID: 40818826.


