O sangue do cordão umbilical continua a desempenhar um papel importante em determinados contextos clínicos, nomeadamente nos transplantes de células estaminais hematopoiéticas em idade pediátrica.
Uma publicação recente analisou os transplantes pediátricos de células estaminais hematopoiéticas registados na China entre 2017 e 2024, através do registo nacional CCBMTR. Os dados mostram uma realidade muito expressiva: a China realiza atualmente mais de 4.000 transplantes pediátricos de células estaminais hematopoiéticas por ano.
O que são transplantes de células estaminais hematopoiéticas?
Os transplantes de células estaminais hematopoiéticas são procedimentos utilizados no tratamento de várias doenças do sangue, do sistema imunitário e de algumas doenças metabólicas.
Estas células podem ser obtidas a partir de diferentes fontes, como a medula óssea, o sangue periférico ou o sangue do cordão umbilical. A escolha da fonte celular depende de vários fatores, incluindo a doença, a disponibilidade de dador, a compatibilidade e o contexto clínico de cada doente.
O que mostram os dados da China?
Segundo a análise divulgada pela Parent’s Guide to Cord Blood Foundation, cerca de 80% dos transplantes pediátricos na China decorrem em 51 centros especializados em transplante pediátrico.
A maioria destes transplantes utiliza células estaminais do sangue periférico como fonte principal. No entanto, o sangue do cordão umbilical continua a ser utilizado em cerca de 10% dos transplantes pediátricos, sendo que esta percentagem varia bastante de acordo com o diagnóstico.
Em algumas doenças, a utilização do sangue do cordão umbilical é mais reduzida. Noutras, assume um peso muito mais significativo. Um dos dados mais relevantes é a sua utilização em doenças metabólicas hereditárias, onde o sangue do cordão umbilical representou cerca de 47% dos transplantes pediátricos analisados.
Porque é que este dado é importante?
Este tipo de análise é importante porque mostra que o sangue do cordão umbilical continua a ter aplicação clínica em contexto pediátrico, mesmo num cenário em que outras fontes celulares, como o sangue periférico, são amplamente utilizadas.
Embora a percentagem de transplantes pediátricos com sangue do cordão umbilical na China tenha diminuído quando comparada com períodos históricos anteriores, o número total de transplantes aumentou de forma significativa.
Entre 2017 e 2024, o número anual de transplantes pediátricos passou de cerca de 1.500 para mais de 4.000. Assim, apesar de representar uma menor proporção do total, a utilização do sangue do cordão umbilical não diminuiu necessariamente em números absolutos.
Este ponto ajuda a compreender melhor a evolução da medicina dos transplantes: à medida que existem mais opções terapêuticas e mais fontes celulares disponíveis, a utilização relativa de cada fonte pode mudar, mas isso não significa que o sangue do cordão tenha deixado de ser relevante.
O papel do sangue do cordão umbilical
O sangue do cordão umbilical é uma fonte rica em células estaminais hematopoiéticas, células responsáveis pela formação das células do sangue e do sistema imunitário.
Estas células têm sido utilizadas em transplantes para determinadas doenças hematológicas, imunológicas e metabólicas.
A sua disponibilidade, o facto de serem recolhidas no momento do nascimento e a possibilidade de criopreservação fazem do sangue do cordão uma fonte celular com características únicas.
Em contexto pediátrico, o sangue do cordão pode ser particularmente relevante, uma vez que as necessidades celulares podem ser diferentes das de um adulto e porque, em alguns casos, pode representar uma alternativa quando não existe um dador compatível disponível.
Uma área em constante evolução
Os dados da China reforçam que os transplantes pediátricos de células estaminais continuam a evoluir, tanto em volume como em diversidade de abordagens.
A análise mostra também diferenças importantes entre regiões do mundo.
Enquanto na China existe uma utilização muito elevada de células estaminais do sangue periférico em crianças, outros registos internacionais, como os dos Estados Unidos e da Europa, apresentam padrões diferentes, com maior utilização de medula óssea em contexto pediátrico.
Estas diferenças demonstram que a prática clínica pode variar consoante o país, os protocolos médicos, a disponibilidade de fontes celulares, os centros especializados e as indicações clínicas mais frequentes em cada população.
Informação, ciência e decisão consciente
Para as famílias, estes dados reforçam a importância de compreender que a criopreservação do sangue do cordão umbilical está ligada a uma área médica real e em desenvolvimento contínuo.
No entanto, é igualmente importante comunicar esta informação com rigor. Nem todas as amostras serão utilizadas, nem todas as doenças podem ser tratadas com sangue do cordão, e qualquer utilização clínica depende sempre de avaliação médica, indicação terapêutica e compatibilidade.
A criopreservação deve, por isso, ser uma decisão informada, tomada com base em conhecimento, confiança e acompanhamento especializado.
O sangue do cordão umbilical continua a fazer parte da história da medicina dos transplantes — e os dados mais recentes mostram que o seu papel permanece relevante em diferentes contextos pediátricos.
Artigo publicado pela equipa BebéVida, a 02 de julho de 2026.
Fonte: https://parentsguidecordblood.org/en/news/update-pediatric-cord-blood-transplants-china


