A ciência acaba de dar um passo muito relevante no tratamento de doenças do sangue, com novos dados promissores sobre a utilização do sangue do cordão umbilical em transplantes de células estaminais.
Um ensaio clínico de fase 2, publicado no Journal of Clinical Oncology, demonstrou que uma abordagem inovadora de transplante permitiu alcançar resultados muito encorajadores: 27 em 28 doentes sobreviveram ao primeiro ano após o tratamento e nenhum desenvolveu doença grave do enxerto contra o hospedeiro, uma das complicações mais temidas neste tipo de procedimento.
O estudo envolveu doentes com leucemias e síndrome mielodisplásica, doenças hematológicas que, em muitos casos, podem exigir um transplante de células estaminais. No entanto, encontrar um dador compatível continua a ser um desafio para muitos doentes, especialmente para pessoas com origens étnicas mistas ou menos representadas nos registos internacionais de dadores.
É aqui que o sangue do cordão umbilical assume um papel particularmente importante. Ao contrário de outras fontes de células estaminais hematopoiéticas, o sangue do cordão pode, em determinadas situações, exigir uma compatibilidade menos rigorosa entre dador e recetor. Esta característica torna-o uma alternativa relevante para doentes que não encontram um dador totalmente compatível.
O que torna esta abordagem inovadora?
A nova técnica estudada combina uma unidade de sangue do cordão umbilical com um produto celular experimental chamado dilanubicel. Este produto é desenvolvido a partir de células estaminais progenitoras recolhidas de seis a oito unidades de sangue do cordão umbilical de dadores diferentes, que são depois expandidas em laboratório.
Segundo os investigadores, esta estratégia pode ajudar a ultrapassar uma das principais limitações históricas do sangue do cordão umbilical: a quantidade reduzida de células disponível numa única unidade, sobretudo quando o transplante é realizado em adultos.
O dilanubicel não tem como objetivo substituir a unidade principal de sangue do cordão, mas sim apoiar o organismo numa fase inicial crítica, ajudando na recuperação enquanto as células transplantadas se estabelecem e começam a regenerar o sistema sanguíneo e imunitário.
Porque é que este estudo é importante?
Os resultados são particularmente relevantes porque mostram que a investigação continua a encontrar novas formas de potenciar o uso do sangue do cordão umbilical em contexto clínico. No final do acompanhamento, praticamente todos os participantes estavam vivos e em remissão, o que reforça o interesse desta abordagem para doentes com doenças hematológicas graves.
Apesar destes dados promissores, é importante sublinhar que se trata ainda de uma terapia experimental. Serão necessários estudos adicionais, com mais participantes e acompanhamento a longo prazo, para confirmar a segurança e eficácia desta estratégia.
Ainda assim, este avanço representa mais um exemplo do potencial das células estaminais do sangue do cordão umbilical e da importância da investigação contínua nesta área.
Artigo publicado pela equipa BebéVida, a 04 junho de 2026.
Fonte: Fred Hutch Cancer Center | Journal of Clinical Oncology, abril de 2026


