Um estudo publicado em agosto de 2026 na revista científica Stem Cells Translational Medicine avaliou, durante cinco anos, a segurança da administração de células estaminais mesenquimais derivadas do sangue do cordão umbilical em pessoas com artrite reumatoide.
Os resultados não identificaram novos sinais importantes de segurança associados à terapia celular durante o período de acompanhamento.
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crónica e autoimune que afeta principalmente as articulações e que, ao longo do tempo, pode provocar lesões articulares e incapacidade.
Apesar dos importantes avanços alcançados com os tratamentos atualmente disponíveis, algumas terapêuticas podem estar associadas a efeitos adversos significativos.
Por esse motivo, a investigação continua a explorar novas abordagens, entre as quais as células estaminais mesenquimais, conhecidas pelas suas propriedades imunomoduladoras.
Um acompanhamento ao longo de cinco anos
O estudo acompanhou nove pessoas com artrite reumatoide que tinham participado anteriormente num ensaio clínico de fase I. Cada participante recebeu uma única administração intravenosa de células estaminais mesenquimais derivadas do sangue do cordão umbilical, em diferentes doses.
Após a administração, os investigadores realizaram avaliações aos três, seis e doze meses e, posteriormente, todos os anos até completar cinco anos de acompanhamento. O principal objetivo foi perceber se poderiam surgir efeitos adversos relevantes a longo prazo.
O que mostraram os resultados?
Durante os cinco anos de acompanhamento, não foram registadas mortes, eventos tromboembólicos ou tumores malignos.
Entre os acontecimentos adversos mais frequentes encontraram-se a osteoartrose e a nasofaringite. Foram também registados eventos adversos graves em alguns participantes, incluindo um caso de celulite — uma infeção da pele e tecidos subjacentes — que foi tratado e resolvido.
Dois participantes desenvolveram tumores benignos, um do ovário e outro da mama, cerca de três anos após a administração. De acordo com os dados apresentados pelos investigadores, não foram identificados tumores malignos durante o período de acompanhamento.
Globalmente, os autores consideram que uma única administração intravenosa destas células apresentou um perfil de segurança a longo prazo aceitável neste pequeno grupo de participantes.
E quanto à evolução da artrite reumatoide?
Embora o objetivo principal deste estudo fosse avaliar a segurança, os investigadores acompanharam também a atividade da doença.
Nos primeiros três a seis meses após a administração das células foi observada uma melhoria marcada no índice utilizado para avaliar a atividade da artrite reumatoide, o DAS28.
Contudo, ao longo dos cinco anos seguintes, a atividade da doença voltou gradualmente a aumentar. Estes resultados sugerem que o eventual efeito observado após uma única administração poderá diminuir com o tempo. Os investigadores levantam, por isso, a hipótese de que futuros estudos possam avaliar esquemas com administrações repetidas.
Porque são estudadas as células estaminais mesenquimais?
As células estaminais mesenquimais têm despertado interesse na investigação de doenças autoimunes sobretudo devido às suas propriedades imunomoduladoras.
Em vez de atuarem apenas através da substituição de células danificadas, estas células podem interagir com diferentes componentes do sistema imunitário e influenciar processos relacionados com a inflamação.
As células mesenquimais podem ser obtidas a partir de diferentes tecidos. Neste estudo, foram utilizadas especificamente células estaminais mesenquimais derivadas do sangue do cordão umbilical, cuja recolha é não invasiva e que apresentam características que têm motivado a sua investigação em diferentes áreas da medicina regenerativa.
Resultados promissores, mas que exigem mais investigação
Este estudo acrescenta informação particularmente relevante por acompanhar os participantes durante cinco anos, um período ainda pouco representado nos estudos clínicos com este tipo de terapia celular.
No entanto, os próprios investigadores salientam as limitações do trabalho. O estudo incluiu apenas nove participantes, teve carácter exploratório e observacional e não contou com um grupo de controlo durante este acompanhamento.
Assim, estes resultados não demonstram que as células estaminais do sangue do cordão umbilical sejam atualmente um tratamento comprovado para a artrite reumatoide. São, contudo, dados importantes sobre a segurança a longo prazo desta abordagem e constituem uma base para estudos futuros, com maior número de participantes e desenhos clínicos controlados.
A investigação continua, assim, a explorar o potencial das células estaminais do cordão umbilical em novas áreas terapêuticas e a procurar compreender de que forma as suas propriedades poderão ser utilizadas de forma segura e eficaz no futuro.


