O cancro da mama continua a ser, a nível mundial, o tipo de cancro com maior incidência e mortalidade entre as mulheres. Apesar dos avanços registados na oncologia nas últimas décadas, persistem desafios importantes, sobretudo no que diz respeito aos efeitos secundários da quimioterapia convencional e à resistência de algumas células tumorais aos tratamentos disponíveis.
Neste contexto, os exossomas isolados de células estaminais mesenquimais, em particular os derivados do cordão umbilical humano, têm vindo a destacar-se como uma abordagem inovadora em investigação.
Estas pequenas vesículas apresentam características que as tornam especialmente promissoras do ponto de vista terapêutico, nomeadamente elevada compatibilidade biológica, baixa imunogenicidade e capacidade de atravessar barreiras fisiológicas e anatómicas. Estas propriedades permitem-lhes atuar como veículos para o transporte de agentes terapêuticos, como fármacos quimioterápicos, microARN e outros compostos bioativos.
De acordo com os dados disponíveis, os exossomas derivados do tecido do cordão umbilical poderão atuar em múltiplas vias de sinalização em simultâneo, contribuindo para inibir o crescimento e a progressão tumoral. Estudos pré-clínicos indicam ainda que podem reduzir a migração e invasão das células tumorais, induzir a morte celular e modular a resposta imunitária.
Esta abordagem poderá representar uma nova oportunidade para o desenvolvimento de terapias mais direcionadas no tratamento do cancro da mama, especialmente tendo em conta as limitações das opções terapêuticas atuais.
No entanto, continuam a existir desafios relevantes à sua aplicação clínica. Entre eles destacam-se a ausência de métodos padronizados para o isolamento de exossomas, a variabilidade na sua produção e composição e a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o seu comportamento biológico, uma vez que, em determinados contextos, poderão também ter um papel na promoção tumoral.
Apesar destas limitações, os exossomas derivados do cordão umbilical surgem como uma abordagem promissora no desenvolvimento de terapias acelulares com potencial antitumoral.
Nota: o estudo referido não foi realizado com sangue do cordão umbilical para uso autólogo eventual. Segundo a Sociedade Espanhola de Hematologia e Hemoterapia, a probabilidade de utilização de uma unidade de sangue do cordão autólogo para transplante é atualmente reduzida e não existe ainda evidência clara da sua aplicação futura em medicina regenerativa fora das indicações atualmente estabelecidas.
Artigo publicado pela equipa BebéVida, a 02 de abril de 2026.
Fonte: https://bio-cord.es/noticias/exomas-de-celulas-del-cordon-umbilical-en-el-cancer-de-mama/
Estudo: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0009898126000975


