Um novo estudo clínico avaliou a segurança e o potencial do sangue do cordão umbilical na recuperação de pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC), apresentando resultados preliminares encorajadores quando esta terapia foi combinada com eritropoietina.
O estudo, publicado na revista científica Stem Cell Research & Therapy, avaliou a utilização de células do sangue do cordão umbilical alogénico em pessoas na fase subaguda após um AVC.
Um novo caminho em investigação para a recuperação após AVC
O acidente vascular cerebral pode provocar alterações motoras, cognitivas e funcionais significativas. Apesar dos avanços na prevenção e no tratamento da fase aguda, a recuperação de algumas das funções afetadas continua a representar um importante desafio.
As terapias celulares têm vindo, por isso, a ser investigadas como uma possível estratégia complementar na recuperação neurológica.
Neste estudo, os investigadores procuraram perceber se a administração de sangue do cordão umbilical, isoladamente ou em associação com eritropoietina recombinante humana (EPO), poderia contribuir para a recuperação funcional após um AVC.
A eritropoietina é uma proteína conhecida pelo seu papel na produção de glóbulos vermelhos, mas existem também dados experimentais que apontam para possíveis efeitos neuroprotetores e para a sua participação em processos relacionados com a formação de novos vasos sanguíneos e regeneração neuronal.
Como foi realizado o estudo?
O ensaio clínico foi randomizado e duplamente cego e incluiu 15 participantes, com uma idade média de 59 anos, que tinham sofrido um AVC entre um e nove meses antes da sua inclusão no estudo.
Os participantes foram divididos em três grupos:
- sangue do cordão umbilical + EPO;
- sangue do cordão umbilical;
- grupo de controlo.
O sangue do cordão utilizado era alogénico, ou seja, proveniente de dadores, e foi selecionado tendo em consideração critérios de compatibilidade imunológica. A administração foi realizada por via intravenosa.
Todos os participantes continuaram também a receber os cuidados e tratamentos de reabilitação habitualmente indicados após um AVC.
O que mostraram os resultados?
Seis meses após o tratamento, o grupo que recebeu sangue do cordão umbilical em combinação com EPO apresentou uma melhoria significativamente superior ao grupo de controlo em algumas medidas de independência funcional e capacidade motora.
Os exames de imagem cerebral realizados pelos investigadores apresentaram igualmente alterações compatíveis com os resultados observados ao nível da recuperação funcional.
Relativamente à segurança, os eventos adversos registados durante o acompanhamento não indicaram efeitos prejudiciais atribuíveis à administração do sangue do cordão ou da EPO.
Já no grupo que recebeu apenas sangue do cordão umbilical, foram observadas algumas melhorias, mas estas não atingiram significado estatístico na maioria das avaliações realizadas.
Resultados promissores, mas ainda preliminares
Apesar dos resultados positivos observados, é importante salientar que estamos perante um estudo piloto com uma amostra muito reduzida: apenas cinco participantes em cada grupo.
Os próprios investigadores classificam os resultados relacionados com a eficácia como exploratórios. São necessários estudos com um número significativamente maior de participantes para confirmar estes dados e compreender melhor o possível papel desta abordagem na recuperação após AVC.
Ainda assim, este trabalho acrescenta nova evidência à investigação que tem vindo a explorar o potencial das células presentes no sangue do cordão umbilical em diferentes áreas da medicina regenerativa.
A investigação continua a revelar novas possibilidades para um recurso biológico que apenas pode ser recolhido num momento único: o nascimento.


