A fibrose pulmonar (FP) é uma doença pulmonar progressiva caracterizada por remodelação do parênquima e depósito excessivo de tecido fibrótico, resultando numa deterioração da função respiratória e num agravamento clínico contínuo.
As opções terapêuticas atuais conseguem apenas retardar a progressão da doença, não sendo capazes de reverter o processo de fibrose estabelecido, o que evidencia a necessidade de abordagens terapêuticas inovadoras e eficazes.
As terapias baseadas em células estaminais representaram uma nova direção de investigação nos últimos anos, em especial as que utilizam células estaminais mesenquimais (MSCs).
Estas células multipotentes, obtidas de diferentes fontes como medula óssea, tecido adiposo, placenta e sangue do cordão umbilical, exibem propriedades anti-inflamatórias, imunomoduladoras e reparadoras que as tornam candidatas promissoras no contexto de doenças com componente inflamatória e degenerativa, como a Fibrose Pulmonar.
A revisão sistemática dos ensaios clínicos registados até ao final de 2024 revelou um crescente interesse global na investigação de terapias com células estaminais para Fibrose Pulmonar. Diferentes tipos de células estaminais mesenquimais foram avaliados em estudos clínicos em fase inicial, administrados por via intravenosa, endobrônquica ou intratraqueal, com foco na sua capacidade de atingir o tecido pulmonar lesado e modular respostas fisiopatológicas críticas.
Os dados disponíveis sugerem que a terapia com células estaminais mesenquimais apresenta um perfil de segurança favorável nos contextos estudados, com os eventos adversos mais frequentemente relatados a ser transitórios e de menor gravidade, como febre ou sintomas ligeiros pós-infusão.
Embora as evidências ainda sejam preliminares e os ensaios clínicos de maior dimensão e rigor metodológico sejam necessários, os resultados iniciais indicam um possível efeito benéfico em termos de redução da progressão fibrótica e melhoria de alguns parâmetros funcionais respiratórios.
Do ponto de vista translacional, estas abordagens baseadas em células estaminais têm o potencial de complementar os tratamentos farmacológicos existentes, não apenas mitigando o processo fibrogénico e a inflamação crónica, mas também promovendo mecanismos de reparação tecidual que não são alcançados com as terapias convencionais.
Em conclusão, embora a utilização de terapias com células estaminais na fibrose pulmonar ainda se encontre numa fase emergente de investigação clínica, os resultados disponíveis reforçam o seu potencial enquanto plataforma terapêutica inovadora.
A realização de ensaios clínicos de larga escala com critérios de eficácia e segurança mais robustos continua a ser necessário para validar o seu papel na prática clínica e, eventualmente, integrar estas estratégias regenerativas como parte das opções terapêuticas para pacientes com fibrose pulmonar.


