Um novo ensaio clínico reforça o potencial das células estaminais mesenquimais derivadas do cordão umbilical na investigação de novas abordagens para a osteoartrose do joelho, uma doença degenerativa que afeta a cartilagem e outras estruturas da articulação e que pode provocar dor, inflamação e limitação da mobilidade.
Publicado no BMC Musculoskeletal Disorders, o estudo avaliou a segurança e os efeitos clínicos da administração intra-articular de células estaminais mesenquimais derivadas do cordão umbilical (UC-MSCs) em pessoas com osteoartrose do joelho. Tratou-se de um ensaio clínico randomizado, duplamente cego e controlado por placebo, envolvendo 55 participantes distribuídos por três grupos: células mesenquimais do cordão umbilical, ácido hialurónico e placebo.
Resultados particularmente relevantes nos doentes com inflamação articular
Os participantes receberam uma única injeção intra-articular, sendo administradas 20 milhões de células mesenquimais derivadas do cordão umbilical no grupo experimental. Ao longo dos seis meses seguintes, os investigadores avaliaram diferentes parâmetros relacionados com a dor, função do joelho, qualidade de vida e alterações observadas através de ressonância magnética.
Um dos resultados mais relevantes verificou-se nos participantes que, para além da osteoartrose, apresentavam sinovite, ou seja, inflamação da membrana que reveste internamente a articulação.
Neste grupo, a administração das células mesenquimais do cordão umbilical esteve associada a uma melhoria significativamente superior da sinovite aos seis meses, comparativamente aos grupos placebo e ácido hialurónico. Foram também observadas melhorias significativas em indicadores de dor, função e qualidade de vida, particularmente nos participantes que apresentavam dor moderada a grave.
O potencial das células mesenquimais do cordão umbilical
Durante muito tempo, a investigação com células estaminais mesenquimais na osteoartrose esteve especialmente focada na possibilidade de reparação dos tecidos danificados. Atualmente, existe também um interesse crescente nos seus efeitos imunomoduladores e anti-inflamatórios.
Estas células podem libertar diferentes moléculas e fatores biologicamente ativos capazes de interagir com o ambiente da articulação, estando a ser estudado o seu potencial para modular processos inflamatórios e proteger os tecidos articulares.
Os resultados deste estudo são particularmente interessantes neste contexto, uma vez que sugerem que os doentes com osteoartrose acompanhada de um componente inflamatório, como a sinovite, poderão constituir um grupo especialmente relevante para futuras investigações com células mesenquimais derivadas do cordão umbilical.
Uma área ainda em investigação
Em termos de segurança, não foram observadas diferenças significativas na ocorrência de eventos adversos entre os três grupos e não foram registados eventos adversos graves relacionados com o tratamento. Os efeitos observados foram sobretudo locais e transitórios.
Apesar dos resultados clínicos positivos, a ressonância magnética não revelou diferenças significativas nas restantes estruturas articulares entre os grupos, para além da melhoria observada ao nível da sinovite. Assim, os resultados não permitem concluir que tenha ocorrido regeneração da cartilagem.
Os próprios investigadores salientam ainda algumas limitações, nomeadamente o reduzido número de participantes e o período de acompanhamento de apenas seis meses. Serão necessários estudos multicêntricos de maior dimensão, com períodos de acompanhamento mais longos, incluindo ensaios clínicos de fase III, para confirmar a eficácia desta abordagem.
Ainda assim, esta investigação acrescenta nova evidência ao estudo das células mesenquimais derivadas do cordão umbilical e reforça o interesse científico em explorar o seu potencial no desenvolvimento de futuras estratégias para doenças articulares degenerativas como a osteoartrose.


