Um novo estudo clínico publicado em 2026 na eBioMedicine, revista científica integrada no The Lancet Discovery Science, avaliou a segurança e o potencial terapêutico de células estaminais mesenquimais derivadas do cordão umbilical em pessoas mais velhas com síndrome de fragilidade.
A fragilidade é uma condição frequentemente associada ao envelhecimento e caracteriza-se por uma diminuição da capacidade física e da resistência do organismo, podendo aumentar o risco de quedas, incapacidade e perda de autonomia.
Um ensaio clínico com 147 participantes
O ensaio clínico de fase II envolveu 147 participantes, com idades entre os 60 e os 85 anos, diagnosticados com síndrome de fragilidade.
Os participantes foram distribuídos aleatoriamente por dois grupos. Um dos grupos recebeu duas infusões intravenosas de células estaminais mesenquimais derivadas do cordão umbilical, administradas com três meses de intervalo, além da suplementação habitualmente utilizada. O grupo de controlo recebeu apenas a suplementação.
Os participantes foram acompanhados durante nove meses, permitindo aos investigadores avaliar não só a segurança da administração celular, mas também possíveis alterações na capacidade física, força muscular, atividade, fadiga e qualidade de vida.
Melhorias na capacidade física
Ao longo do período de acompanhamento, os investigadores observaram diferenças favoráveis no grupo que recebeu as células derivadas do cordão umbilical.
Um dos principais indicadores analisados foi o Short Physical Performance Battery (SPPB), um conjunto de testes utilizado para avaliar equilíbrio, velocidade da marcha e capacidade de se levantar de uma cadeira.
Os participantes tratados com células estaminais mesenquimais apresentaram uma melhoria estatisticamente significativa neste indicador quando comparados com o grupo de controlo.
Foram ainda observadas diferenças em parâmetros como força de preensão, velocidade da marcha, nível de atividade física, fadiga, sintomas relacionados com o joelho e perceção do estado geral de saúde.
Resultados de segurança considerados favoráveis
Outro dos principais objetivos do estudo era avaliar a segurança da terapia.
De acordo com os investigadores, não foram registados eventos adversos graves relacionados com a administração das células estaminais. Foram registados 12 eventos adversos ligeiros, incluindo dores de cabeça, tonturas e desconforto no peito, que se resolveram espontaneamente.
Os investigadores observaram também alterações favoráveis em alguns biomarcadores relacionados com inflamação, envelhecimento celular e função mitocondrial, embora estes resultados necessitem de investigação adicional.
O potencial das células mesenquimais do cordão umbilical
As células estaminais mesenquimais presentes no tecido do cordão umbilical têm sido estudadas em diferentes áreas da medicina regenerativa devido às suas propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias.
Os resultados deste ensaio reforçam o interesse científico nesta fonte celular e na investigação de novas aplicações terapêuticas associadas ao envelhecimento.
No entanto, os autores salientam que estes dados não permitem ainda considerar esta abordagem um tratamento estabelecido para a fragilidade.
Serão necessários ensaios clínicos de fase III, multicêntricos, com um maior número de participantes e desenho duplamente cego, para confirmar a eficácia, determinar a duração dos potenciais benefícios e avaliar a aplicação desta terapia numa população mais ampla.
Ainda assim, este estudo representa mais um passo na investigação do potencial terapêutico das células estaminais provenientes do cordão umbilical e evidencia a crescente diversidade de áreas em que estas células estão atualmente a ser estudadas.


