Um estudo clínico publicado no World Journal of Clinical Pediatrics analisou a utilização de sangue do cordão umbilical da própria criança em casos de Perturbação do Espetro do Autismo, comparando os resultados com uma intervenção baseada em suplementos individualizados.
A investigação em torno das terapias celulares tem vindo a ganhar destaque em diferentes áreas da medicina, incluindo no estudo da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), uma condição complexa, com manifestações muito variadas e ainda com muitos aspetos por compreender.
Um estudo clínico, conhecido como CORDUS, avaliou a administração de sangue do cordão umbilical autólogo — ou seja, da própria criança — em crianças com diagnóstico de PEA. O trabalho comparou esta intervenção com uma combinação individualizada de suplementos, administrada de forma sequencial aos participantes. A versão revista por pares foi publicada em 2025 no World Journal of Clinical Pediatrics.
O estudo incluiu 56 crianças, tendo a eficácia sido avaliada antes e depois das intervenções através de escalas comportamentais e entrevistas conduzidas por um psicoterapeuta independente junto dos pais e terapeutas das crianças. Entre os instrumentos utilizados estiveram escalas como a ATEC e a Q-CHAT.
Os resultados indicaram que o sangue do cordão umbilical autólogo esteve associado a melhorias mais evidentes em crianças entre os 3 e os 7 anos, especialmente em áreas como a verbalização, a interação social, a iniciativa, a compreensão e a capacidade de atenção. Neste grupo, os autores reportaram melhoria em cerca de 78% das crianças avaliadas. Em crianças mais velhas ou com peso mais elevado, os resultados foram menos expressivos.
O estudo refere ainda que, em alguns casos, os suplementos individualizados apresentaram melhores resultados do que o sangue do cordão umbilical, reforçando a ideia de que a resposta pode variar significativamente de criança para criança. Os investigadores identificaram também alguns fatores que poderão estar associados a menor resposta, como níveis iniciais elevados de marcadores inflamatórios ou ferritina.
Em termos de segurança, os autores não reportaram reações adversas graves após a administração do sangue do cordão umbilical ou dos suplementos. Ainda assim, o próprio artigo sublinha a necessidade de novos estudos clínicos para confirmar estes resultados e identificar melhor quais os perfis de crianças que poderão beneficiar mais deste tipo de abordagem.
Este estudo reforça o interesse científico em torno do potencial do sangue do cordão umbilical autólogo e da sua possível aplicação em áreas complexas como a PEA.
Embora os resultados sejam promissores, devem ser interpretados com prudência: trata-se ainda de uma área em investigação, que exige mais estudos para validar a eficácia, compreender os mecanismos envolvidos e definir critérios claros de seleção dos doentes.
A criopreservação do sangue do cordão umbilical continua, assim, a representar uma oportunidade única de guardar células estaminais da própria criança, que poderão ter relevância em diferentes contextos terapêuticos presentes e futuros.
Nota: Este conteúdo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico especializado. A utilização de sangue do cordão umbilical em PEA encontra-se ainda em estudo e não deve ser interpretada como tratamento garantido ou recomendação clínica individual.
Artigo publicado pela equipa BebéVida, a 14 maio de 2026.
Fonte: https://www.wjgnet.com/2219-2808/full/v14/i1/96643.htm


