Japão torna-se pioneiro mundial na aprovação de abordagem regenerativa experimental no tratamento do Parkinson
O Japão tornou-se o primeiro país a aprovar, ainda que de forma condicionada, uma terapia baseada em células estaminais para o tratamento da doença de Parkinson. Embora seja ainda uma aprovação condicionada e só para o Japão, consiste num avanço considerado histórico e que reforça o papel crescente da medicina regenerativa no combate a doenças neurodegenerativas.
A abordagem utiliza células estaminais pluripotentes induzidas (iPS), obtidas a partir de células adultas reprogramadas em laboratório até regressarem a um estado semelhante ao embrionário. A partir destas células, os investigadores conseguem produzir neurónios dopaminérgicos, que são posteriormente transplantados no cérebro dos doentes com o objetivo de substituir as células nervosas destruídas pela doença — responsáveis por sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão motora.
A decisão das autoridades japonesas baseia-se em vários estudos, nomeadamente em resultados de um ensaio clínico publicado na revista Nature, que envolveu sete pacientes. O estudo indica que o procedimento é seguro, sem registo de efeitos adversos graves ou formação de tumores. Além disso, vários participantes apresentaram melhorias nos sintomas motores, associadas a um aumento da produção de dopamina em áreas cerebrais-chave. Uma investigação publicada na Cell Stem Cell analisou a resposta imunológica ao tratamento, sugerindo que a terapia pode ser administrada com regimes moderados de imunossupressão, sem sinais clínicos relevantes de rejeição.
Apesar dos resultados promissores, os especialistas alertam que os dados ainda são preliminares, devido ao reduzido número de participantes e à ausência de um grupo de controlo, sublinhando a necessidade de estudos de maior dimensão para confirmar a eficácia e segurança a longo prazo.
Em simultâneo, outras linhas de investigação em terapia celular estão a ganhar destaque, nomeadamente o uso de células estaminais mesenquimais derivadas do cordão umbilical. Uma revisão recente aponta vantagens como baixa imunogenicidade, elevada capacidade de proliferação e potencial regenerativo significativo.
Estudos pré-clínicos indicam que estas células podem atuar através de múltiplos mecanismos, incluindo a diferenciação em células semelhantes a neurónios dopaminérgicos, a libertação de fatores neurotróficos e exossomas, bem como a redução do stress oxidativo e da morte celular. Estes efeitos têm sido associados a melhorias motoras e cognitivas em modelos experimentais da doença.
Ainda assim, persistem desafios importantes, como a variabilidade entre dadores e a necessidade de padronização dos protocolos clínicos, sendo essenciais ensaios de larga escala para validação.
No seu conjunto, estes avanços representam uma possível mudança de paradigma no tratamento do Parkinson, passando de terapias centradas no controlo de sintomas para abordagens com potencial de regeneração neuronal e modificação da progressão da doença.
Referências
- Sawamoto, N. et al. (2025). Phase I/II trial of iPS-cell-derived dopaminergic cells for Parkinson’s disease. Nature.
- Morizane, A. et al. (2025). Control of immune response in an iPSC-based allogeneic cell therapy clinical trial for Parkinson’s disease. Cell Stem Cell.
- APDA (2025). Japan approves first stem cell therapy for Parkinson’s disease.
- Mante, N. et al. (2026). Advances in Parkinson’s disease management using umbilical cord-derived mesenchymal stem cells


